fev 5, 2010
BPM sem BPEL – Parte 01
A crise econômica mundial já foi pior, alguns dizem até que ela já passou. Mas cortar custos é sempre bom, né? Então, que tal reduzir 20% dos custos de sua
empresa? Bom, né? Pelo menos é isso que promete o Gartner se você usar BPM. Segundo a consultoria, os que seguem a adoção de BPM podem ter esse lucro nos primeiros 12 meses. E
eu não duvido.
70% das
empresas que usam BPM dizem que essa é a sua salvação. A idéia não é
nova, com crise ou sem crise os preços tendem a ser ditados pelo
mercado, então uma boa forma de as empresas irem para frente é melhorar a
qualidade dos seus processos internos e diminuir custos.
O que é Business Process Management?
Esse é um modelo gestão
baseado em processos, a idéia é mapear e modelar os processos da empresa
para ter um conhecimento maior de como as coisas funcionam e poder
otimizar o processo. Tal tarefa de mapeamento pode ser feita com
qualquer ferramenta estilo fluxograma.
Para
mapear um processo não importa se a sua ferramenta é o MS Visio,
IBM
Modeler, BizAgi ou até mesmo o MS Excel.
Quando falo em mapear
não falo só no mapeamento, que é um tarefa de engenharia reversa,
mas falo também de modelagem de processos, para a modelagem de um
processo novo por exemplo.
Com o processo modelado e mapeado, é
possível aplicar SLA e, através de simulações e até mesmo o uso empírico
do processo, ver pontos de melhoria e de simples descarte. Para
simulações, já vamos precisar de uma ferramenta mais própria para BPM
como o Modeler ou o Intalio, o excel fica devendo :)
Infelizmente
a simulação, que é um recurso muito bom, ainda é deixada como uma
funcionalidade meio que de brinde, sem muito foco, pelos grandes
players. É possível que depois da bpmn 2.0 isso mude, vou falar mais sobre
isto depois.
O Ciclo do BPM

Ciclo do BPM
Design: É o inicio de tudo. Nessa
fase há a identificação dos processos existentes e o
mapeamento dos atores, tarefas e requisitos de SLA. Um bom design, além
de resolver possíveis problemas futuros, deixa as coisas mais claras e
objetivas; nesse momento você projeta como tudo vai acontecer.
Modelagem: Quando as coisas começam a
se tornar tangíveis, nesse ponto você irá se preocupar com detalhes
mais práticos dos que aqueles da fase de design. Preocupações como custo e materiais, pessoas etc., sempre aparecem aqui.
Execução: Aqui é onde o trabalho
acontece, seja ele feito por pessoas, por máquinas ou por sistemas. Você
pode aumentar seu nível de automatização, mas isso nunca
será 100%; logo, vai ter que haver interação com pessoas e tarefas
manuais. Pode ser difícil de documentar como as coisas funcionam, mas
isso é mais uma questão de cultura e de hábitos do que de complexidade
propriamente dita.
Monitoramento:
Nessa fase você vai acompanhar os seus processos em execução, seja ela
por meio de sistemas da TI ou por tarefas feitas manualmente, você deve ter estatísticas de performance do seu processo. Você pode usar
ferramentas de BAM
nesse ponto, a solução de BAM pode ajudar a detectar problemas para que
você possa corrigi-los ou melhorar a performance dos seus
serviços.
Otimização:
Depois de fazer o design, modelar, executar e monitorar, você tem a
chance de aplicar otimizações nos processos de sua empresa. Nesse ponto
que você pode remover gargalos e retirar passos e custos não necessários
ao seu negócio.
Business Process Modeling Notation
É
uma forma padronizada de fazer mapeamento de processo de negócio, a
bpmn é uma notação visual, pelo menos até a versão 1.1. Na versão 2.0
vai existir um schema para validar a notação, isso será bom tanto em
termos de ferramentas como em termos de padronização e portabilidade.
Hoje
em dia a portabilidade de bpmn praticamente não existe, porque
visualmente se existe um ” + ” em um gateway e uma ferramenta como o IBM
Modeler 6.0 não tem esse sinal, ela não é aderente a bpmn. Até a versão
1.1, teoricamente, a portabilidade aconteceria com o XPDL, mas nem todas
as ferramentas trabalham com o XPDL, e mesmo que trabalhem, existem sérios
problemas de portabilidade, como por exemplo do BPM Studio da ORACLE
para o IBM Modeler e vice-versa.
Padrões são bons, mas nesse
ponto de bpmn 1.1 isso tudo serve apenas de convenção, na versão 2.0 do
bpmn que é quando se pretende fazer a bpmn executável pode ser que as
coisas mudem mas até que isso chegue não vai ser da noite para o dia.
Nesse tempo você vai querer usar BPM, use a vontade com bpmn ou não,
agora saiba que você estará preso a uma ferramenta, não caia na trova
fiada da portabilidade.
XPDL?
É
um padrão de representação de fluxos baseado em XML, esse padrão é
mantido pela Workflow Management
Coalition (WfMC), já o bpmn é mantido pela OMG. O problema é que, como dito antes, nem todas as soluções de BPMN seguem a última versão de
XPDL. Muitas ferramentas usam
XPDL mas não existe portabilidade, você cria o processo com bpmn na
ferramenta e, na hora de importar em outra ferramenta, ou não importa, ou
importa com erros.
BPMS
É
um software para BPM, proprietário. O problema é que todos os processos
de um BPMS devem ser executáveis e, na verdade, muita coisa não é
executável. Para muitos essa é outra tentativa sem sucesso de
automatizar o que não deve ser automatizado e trocar pessoas por
sistemas.
A evolução dos padrões
Confira
a evolução desses padrões no diagrama de linha do tempo abaixo.
Perceba a diferença de evolução do XPDL e do BPMN que mudou de dono no
meio do caminho, perceba a velocidade de evolução dos padrões também.
Timeline
de padrões
Você pode conferir boas
dicas do que vai ter de novo no bpmn
aqui. Porém, existem algumas coisas ruins sobre o assunto, como por
exemplo a possível continuidade da baixa portabilidade, que só leva ao
mais lock in nos grandes vendors como IBM e ORACLE.
Se você tem
dúvidas quanto a portabilidade, leia esse trecho, retirado
do blog de um dos caras de BPM, o Bruce Silver:
3. Model portability.
Most people simply take it for granted that the first goal of any
standard like BPMN is portability or interoperability between tools.
You should be able to create a BPMN model in tool X and open it in tool
Y. That takes more than a schema. It also requires the spec to
enumerate the elements expected to be portable between tools, i.e. that
all tools must support and understand. In an execution language like
BPEL, this enumeration is the entire set. But for BPMN, currently used
as a diagramming notation rather than a complete execution language, no
tool with a runtime supports every last bit of it, and that probably
won’t change with BPMN 2.0.The
team should have followed XPDL’s lead and defined multiple working sets
a hierarchy of portability levels from a simple basic palette
supported by essentially all tools, up to the full set, with portability
conformance requirements spelled out for each level. I drafted
language to that effect, but it didn’t get off the ground, either.
Instead, the modeling conformance language is so vague as to be
meaningless.My
interpretation of the reason is that team members were uncertain how
much of the BPMN palette their own tools would support in their first
“2.0-compliant” release. So don’t expect much portability when BPMN 2.0
tools first come out.
Bom, acho que ele foi bem
claro quanto ao que estou dizendo.
Na versão 2.0 do BPMN que a
idéia é ser executável, será nitidamente a saída do BPEL, que muitas
vezes era utilizado como solução por limitações de distinção de
informações de modelagem e informações de design da bpmn 1.0.
A questão da simulação também pode vir a ficar melhor pela entrada dela na
especificação de BPMN 2.0, mas isso tudo é para depois de 2010.
Fechando essa parte…
BPM é
um modelo de gestão baseado em processos, não é tudo e não substitui a
gestão tradicional. Agrega novos conceitos, mas ainda precisamos do
básico que existe em administração e gestão de projetos. BPM não é TI
necessariamente, é mais negócio que TI, pode ter e deve ter a ajuda da
TI, mas é mais para área de negócios e a sua implantação é na empresa
toda e não só no setor de TI.
No próximo artigo vou falar da
relação de BPM com BPEL e se isso é possível ou não. Existe uma
discussão muito grande sobre esse tema, falarei das
possíveis vantagens e desvantagens e de mitos e patotas dessa
questão.
Abraços e até a próxima.
Fonte: iMasters – Seção: gerencia
Leia o restante do artigo BPM sem BPEL – Parte 01
